terça-feira, 30 de setembro de 2008

ninho.

é que passa a adolescência inteira querendo sair da casa dos pais... pra poder sumir um final de semana, não arrumar a cama, plantar alguma coisa que lá não pode, ter um bicho, não ter ninguém e fazer sexo casual.
eu não! eu saí pro oposto: lavar minha calcinha, acordar cedo pra não reprovar, ter horários pra viver.
na casa da minha mãe pode tudo. lá é o melhor lugar do mundo!
onde se come muito bem, se dorme até o aspirador de pó acordar, toda planta é aceita e a cama de casal já chegou há anos. pra todo mundo.
um conforto bom, uma liberdade gostosa. não dá vontade de fazer errado nada. mas a preguiça enrola. casa de ser criança pra sempre. melhorcoisademodeuso!
daí eu vim embora e dia desses fui lá, me hospedar.
passei um bom tempo contando os dias, arrumei a mala com vontade de colocar todas as novidades la dentro e a saudade já estava guerrilhando até com a vontade de ter um mundo só meu.
saí a noite, cheguei de manhã. e foi tudo lindo, desde o frio da estrada, até pisar em casa e sentir que a gente pode rodar o mundo que aquele chão é melhor.
essas coisas espiraladas da vida, que dão nó na garganta e tiram pé do chão. melhor que paixão, minha gente! bem melhor...

barbões

então, gente!
eu nunca soube bem se eu gosto ou desgosto do los hermanos. tem dias em que eu acho bonzão, tem dias em que dá preguiça... essa coisa cool desligadinha, o publico chato, o pedantismo...
a verdade é que nunca morri de amores mas sempre convivi. uma coisa meio família, sabe?
vi uns shows, dei cd de presente do dia dos namorados, ouvi na dor de cotovelo, dancei pra socializar... essas coisas!
mas amor, amor, assim, de ouvir sempre e tanto, de deixar uma pasta no ipod definitiva, de ouvir no carro, de mandar por depoimento no orkut, não!
mas dia desses, vi o dvd novo na promoção e deu vontade de comprar. ultimo registro deles.
eu adoro isso de ultimo show. me lembro de ter ido a vários do dead fish, do merda, dos pedreros e do lixo é luxo quando morava em vitória.
dos hermanos, só dvd, porque acabaram de verdade e o show não foi pertinho...
e eles foram supimpas acabando na hora certa. pra deixar saudade e não deixar de saco cheio.
lembra do sai de baixo? que passava domingo a noite?
foi assim também!
agora eu vejo o dvd com aquele ar de fui feliz e não vi...
já viram?!

sábado, 14 de junho de 2008

meu pé de amora.

era um final de semana daqueles que prometem: festa de aniversário de um amigo e tudo. eu tinha só 14 anos e uma vida social em guarapari, litoral do ES. acordei num dia lindo, dormindo na cama dos meus pais, por que tinha muito medo de coisas que "não existem". levantei, ajudei mamãe com um suco e fui levar para o meu pai, que, segundo ele, tinha ido dormir no meu quarto porque mamãe roncava como um boeing. ele falava esquisito. disse que era só uma dor de cabeça. chamei a senhora de tudo, minha mãe.
meu medo, do que não existia, ficou próximo. eu não sabia se sabia ou se estava interpretando o desespero. tanta novela nessa vida. coloquei uma roupa, com a preocupação de ser a melhor. mamãe não. do jeito que estava, ligou em pânico pra tanta gente. enquanto eu, sem pressa, me arrumava, sempre assim...

fomos para o hospital e em questões de segundos, estávamos na capital, em busca de recursos. ele perdeu a fala e os movimentos naquele dia por conta de um derrame cerebral.
um pé de amora, pedaço de amor que só se via. nunca mais me levaria ao colégio, nunca mais cantaria um samba e nem recitaria poesias. não jogaria baralhos, não discutiria relações e nem visitaria diariamente sua plantação de cocos.

meu pai era um cara bacana, tinha uma cara emburrado, idade de e tanta história pra me contar...
minha mãe sempre foi legal, mas ele era tão legal que eu nunca tinha parado pra reparar nela.
as coisas tomaram proporções enormes e eu virei gente grande sem sentir. mesmo que isso tenha durado só um ano.
foram 5 meses entre UTI, quarto, UTI, vai pra casa, não vai... e eu, naquela cidade ovo, casa de uns e outros, oitava série e recuperação em física.
o ano parecia gigante, ou pequeno, não sei. tem horas nessa vida que a gente não entende muito bem o numero de horas do dia. e mesmo assim, a vida de 14 anos ainda existia, de vez em quando.
achei que fosse tudo voltar ao normal, que era "uma fase". o ser humano sempre se segura no clichê "vai passar", irracionalmente ou não. e passa mesmo.
a vida é uma sucessão de clichês e nessa divisão de vida e morte, você se depara com uma infinidade deles. todo mundo me ligava enquanto ele estava no hospital, eram tantos abraços e amigos da família aparecendo. mais amigos da minha mãe que dele, que, crítico demais,
não fazia questão de muitos. mas sempre fez de mim.

eu recordo de pouca coisa. uma amnésia expontânea que todo mundo tem quando toma um choque. entre aniversário dele, natal e reveillon, o clima era de ida. a partir daí, o natal ficou fosco.
num dia destes, eu saía a noite e com um nó na garganta, eu disse que o amava. uma enfermeira dava uma sopa daquelas que eu tenho certeza que ele não estava vendo a mínima graça e ele, com uma dificuldade gigante, levantou a mão e pela traqueostomia, com uma voz robótica disse que que me amava também.
nunca me lembro disso sem encharcar os olhos. nenhum outro homem dirá algo semelhante de forma tão sincera. e eu nunca mais deixei de falar o que sentia.
no dia 08 de janeiro de 2003, meu pé de amora secou. e entre o meu egoísmo adolescente e a maturidade que veio do nada, dei o tchau mais confuso de todos.
passaram 5 anos, namorei, "emulherei" e virei amiga da minha mãe, mesmo sendo dificílimo conviver com outra mulher, tendo morado dentro dela e sendo uma, vira e mexe,
reclamo de ter tido pouco tempo pra aprender mais com ele. acho que vivo nessa busca e ele tá lá, na areia de copacabana, no samba da vila isabel, na agência do banco do brasil e nas ruas de guarapari.
preciso busca-lo pra pôr em mim.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

serviços ortodônticos são caros... bem caros! e eu havia jurado não acender mais um cigarro e surge uma quinta, uma noite, um copo delirante e cigarros mentolados, sutilmente doados.
mas o F.U.M.E.I. foi mais do que dois cigarros. parabéns por ora, fepão!

sábado, 31 de maio de 2008

abri um leque de lembranças junto com os olhos encharcados neste sábado... unir a falta de horizonte com a perda gigantesca me congelou e degelou em frações de segundo.
salguei-me e gritei. precisava de alguem, de ajuda e de um colo de mãe.
ela sempre tão presente e eu sempre querendo fugir.
ai, esses quase 20 me levarão a loucura...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

booom.

ins piração
inspire ação



ta faltando...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

de novo, de novo!

daí que veio uma vontade grande de colocar o pé na estrada [ou no céu?] de novo...
comecei a contar cada minutinho e contar minutinhos pode ser uma delícia.
um ano depois!
é, o festival de jazz e blues de rio das ostras mais uma vez fica pro ano seguinte.

terça-feira, 15 de abril de 2008

a conta, por favor.

duas num café. sobre a mesa, refrigerante, trabalhos da faculdade, pão de queijo, amores platônicos, um capuccino e mousse de chocolate sugerem o melhor da vida.
a dieta ficou pro dia seguinte.

cumplicidade continua muito além de depoimentos por orkut.

outono.

o quase das manhãs, o pé por cima do braço do sofá e mil lembranças focadas na árvore vista da janela. o amor, essa coisa cafona, deixou um tom um pouco apático e já não compensa se levantar pra regar plantas ou comer. quase como, quase vivo, quase morro... mas tudo é demais e estaguino ali, no estofado de veludo velho, refletindo sobre as possíveis razões para ele ter partido em busca de sensações distantes. me desespero. tremores tomam conta do meu dedo médio do pé esquerdo. nunca senti nada disso antes. ele pode ter ido a tantos lugares, mas ainda está aqui. se eu ainda tivesse anotado aquele telefone num papel qualquer, se eu não tivesse inventado de fumar aquele papel antes de conhece-lo. minhas contas não foram pagas, não dei banho nos cachorros e nem abri a porta para a faxineira. que fique tudo entregue. eu já me entreguei em vão.